A empresária Paula Bessa, representante da Planner Eventos, ajuizou uma ação no Tribunal de Justiça do Ceará contra a apresentadora Xuxa Meneguel e pede uma indenização moral e material que ultrapassa R$ 2,5 milhões. O blog teve acesso exclusivo aos documentos e a versão da empresária sobre o desabafo da Xuxa nas redes sociais denunciando a empresa.



Xuxa foi impedida de voltar para o Rio de Janeiro após um show em Fortaleza. A apresentadora culpou a empresária pelos problemas com a aeronave fretada e também por fretar um voo irregular. A mesma empresa também ficou conhecida por denúncias envolvendo voos fretados que prejudicaram outros artistas como Ivete Sangalo e Claudia Leite. Xuxa deveria voar meia noite de um domingo mas a aeronave fretada foi interditada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A apresentadora ficou mais assustada quando descobriu que a aeronave era usada sem permissão como táxi aéreo. O pior: havia entrado em pane no caminho. Paula dizia que a empresa de táxi aéreo contratada era indicação de parceiros que trabalhavam com artistas e que houve mudança da empresa que faria o transporte aéreo poucos dias antes do show, mas que a alteração foi aprovada pela produção da Xuxa. 

A Anac recebeu diversas denúncias de que uma aeronave no aeroporto de Fortaleza fazia táxi aéreo sem licença. No local os fiscais confirmaram que a empresa não tinha autorização para voos comerciais e a aeronave foi apreendida. Xuxa contou que não recebeu suporte e que sua equipe precisou dormir no chão e só conseguiu sair do aeroporto depois de 12 horas contratando um voo particular. Paula informava que a empresa havia oferecido estadia em hotel de luxo na cidade mas a apresentadora recusou e preferiu esperar no aeroporto. Para piorar, o show que estava previsto para o dia seguinte em Recife precisou ser cancelado.

PROCESSO: 2,5 MILHÕES

Ao contrário do que muitos pensavam foi a empresária que representa a Planner Eventos que entrou na Justiça contra a apresentadora. Nos documentos obtidos com exclusividade pelo blog Paula alega que o vídeo da Xuxa nas redes sociais desencadeou discurso difamatório e injurioso. Ela alega que foi "um verdadeiro arsenal de inverdades, de acusações sem fundamento, de ameaças, ocasionando o início de um verdadeiro martírio." A empresária conta que após a postagem do vídeo a Planner Eventos caiu no “inferno”, em uma"tortura moral, financeira e material", pois a postagem teria atingido milhões de pessoas no Brasil e no mundo.

Como contratante do show Paula afirma no processo que o evento foi um sucesso, elogiado por todo o público, e que tudo corria bem até Xuxa ser impedida de voar pela Agência Nacional de Avião Civil – ANAC, por motivos que até aquele momento fugiam ao conhecimento da Planner Eventos. Segundo os advogados da empresária "começou o terrorismo moral por parte da Sra. Maria da Graça Xuxa Meneghel, através da senhora Mônica, que, de maneira acintosa e hostil, ameaçava a Sra. Paula Bessa para que ela pagasse o valor de cerca de R$ 122.000,00 (cento e vinte e dois mil reais) referente à contratação de um voo da Empresa de Táxi Aéreo Líder, estipulando prazos de minutos para que a mesma efetuasse o pagamento, sob pena de ser exposta a situação em redes sociais."

A defesa da empresária afirma que ela adotou as providências necessárias para solucionar o problema e, primeiramente, disponibilizou cartões de crédito para pagamento da aeronave contratada pela “Xuxa”, porém, não havia limite suficiente. Não restando outra alternativa, Paula diz que buscou juntamente ao seu parceiro comercial a empresa Pacific Eventos, o que, de fato, veio a se concretizar, pois foi ofertada a Xuxa nova opção de voo, mas não dá forma urgente como a apresentadora queria, até mesmo porque, de acordo com as regras operacionais do próprio aeroporto, não é permitido o embarque de passageiros em vôos executivos de 00:00 horas às 06:00 horas, tendo sido disponibilizado um voo às 8:00 horas da manhã do dia 25 recusado pela Xuxa. Paralelamente à oferta de um novo voo e para amenizar os transtornos Paula afirma que reservou e disponibilizou suítes para Xuxa e toda a sua equipe no Hotel Gran Marquise (5 estrelas), e no caso da apresentadora (“Xuxa”) foi oferecida a suíte Presidencial (as notas fiscais constam juntadas no processo), mas a oferta teria sido igualmente recusada pela apresentadora. Dessa forma a empresária alega que Xuxa sustentou em suas redes sociais que sua equipe e familiares estariam dormindo no chão no aeroporto por sua culpa (conforme pode ser atestado no vídeo gravado e que é utilizado como prova no processo).

“.. Amanheceu aqui em Fortaleza, eu ainda não dormi, estamos no aeroporto porque a nossa contratante que contratou a gente pro show de Fortaleza e também de Recife deixou a gente na furada. Então como ela é uma pessoa bem legal eu quero dizer a todos vocês de Recife que infelizmente nós não vamos fazer o show que estava marcado para a semana que vem, não vai dar certo fazer com essa senhora...” (trecho do vídeo gravado pela Xuxa)


PEDIDO DE INDENIZAÇÃO

Além dos lucros cessantes como quebras de contratos com empresas parceiras e outros rompimentos contratuais, Paula alega que teve prejuízo de aproximadamente R$ 535.000,00 (quinhentos e trinta e cinco mil reais), obtido através da somatória de vários valores detalhados no processo. Ela pede agora R$ 2 milhões por danos morais e mais o valor do dano material. No total a empresária pede da apresentadora uma indenização de pouco mais de R$ 2,5 milhões.

Xuxa não tem conhecimento ainda da ação pois ainda não foi citada pela Justiça. A intimação será feita nos próximos dias assim que a data de audiência for definida pela Justiça após a paralisação em razão da pandemia.