A atriz Deborah Secco se envolveu numa grande briga com sua ex-empresária - Claudia Gerin Guimarães - durante a dissolução da sociedade feita entre as duas. Na última ronda feita pelo Blog encontramos o registro de um boletim de ocorrência contra a atriz na 16º Delegacia de Polícia Civil do Rio; a acusação: crime de "furto a estabelecimento comercial".



 O registro causou bastante estranheza a esse repórter que resolveu correr atrás da história e acabou descobrindo também o caso no Tribunal de Justiça do Rio - 28º Vara Civil- com última movimentação processual feita - por coincidência- na data desta publicação (19/05/20) - após a juíza Fernanda Rosado de Souza determinar o desarquivamento dos inquéritos para julgamento do caso. 








   

O Blog teve acesso a íntegra de todas as páginas do processo e a todos os documentos e provas juntadas nos autos. Entretanto, por uma questão ética de conduta jornalística, não vai mostrar trocas de mensagens, e-mails ou conversas com textos e áudios trocadas em aplicativos de mensagens em respeito ao limite da liberdade de imprensa e a privacidade dos envolvidos no que versa sobre esse tema dentro de um processo público.

O processo foi aberto inicialmente por Claudia Gerin, que conta à Justiça que tem como atividade principal o agenciamento e a assessoria de artistas, representando-os em contratos publicitários, de direito de imagens, em programas televisivos e entrevistas. O início da sua atividade profissional se deu com prestação de serviços na empresa JP&IKE PRODUÇÕES ARTISTICAS LTDA, do empresário Eike Cruz, quando teve a oportunidade de conhecer Deborah Secco, que passava a ser representada pela empresa.

Cláudia conta que resolveu trilhar o seu próprio caminho representando artistas e que Deborah resolveu se desvincular da empresa e contratá-la para representar seus interesses e, por isso, teria feito a proposta para uma sociedade pela prestação do seu agenciamento e assessoria. Como Deborah já teria alugado um imóvel, sugeriu que a empresa fosse instalada naquele local, conforme contrato social e o alvará de licença para estabelecimento que o blog teve acesso. Em sua acusação Claudia diz que a relação não passou de três meses em razão de interferências externas provocadas pela irmã da atriz Bárbara Filho Secco, que também figura como ré no processo, bem como sua ex cunhada Úrsula Galera Flores, irmã do famoso jogador de futebol Roger Flores, e que também é ré do processo. A empresária diz que foi acusada de se beneficiar economicamente da imagem da atriz em detrimento da sua inocência no mercado, até que acabou a amizade. Afirma ainda que ficou decidido a permanência do seu negócio no imóvel alugado por Déborah, e que ela passaria a arcar com as taxas de aluguel e condomínio.

A confusão começa, segundo Cláudia, quando chega um dia em seu escritório e é "surpreendida com o furto de todos os seus pertences, desde computadores utilizados em seu trabalho a quadros, definitivamente tudo havia sumido!" A empresária alega que recebeu logo depois um telefonema da irma da atriz dizendo que os bens haviam sido retirados por ela com o intuito de desocupação do imóvel e que seriam apenas devolvidos mediante a assinatura de um termo de devolução.


NA DELEGACIA...

Enquanto Cláudia abria o processo na esfera Civil pedindo danos morais e perdas e danos o delegado Rafael Willis Fernandes tomou uma decisão inusitada: após intimar e colher o depoimento de todos ordenou a mudança do registro de ocorrência; solicitou que fosse desfeito o boletim de "furto a estabelecimento comercial" contra a atriz e, no lugar, fosse um boletim de "denunciação caluniosa" contra a ex-empresária de Deborah, Claudia Gerin. Mas a versão do delegado de "denunciação caluniosa" na conclusão do inquérito não foi aceita pela promotoria Criminal do Ministério Público, que entendeu que nem Déborah teve a intenção de cometer um furto, e nem Claudia teria a intenção de promover uma denunciação caluniosa. O órgão mandou arquivar as duas versões. Para o MP havia ali apenas um grave conflito na dissolução da sociedade que deveria ser discutido fora do juízo criminal. A instituição ainda fez a ressalva de que os inquéritos poderiam ser desarquivados caso a Justiça optasse por analisar o caso em âmbito Civil. E foi o que a juíza Fernanda Rosado acaba de fazer: pediu o desarquivamento dos inquéritos para julgamento do caso na competência da 28 comarca Civil do Rio.


Déborah Secco conta sua versão e também abre processo contra ex-empresária.

A atriz apresentou sua defesa na Justiça e fez um pedido de "Reconvenção" processual, ou seja, dentro da sua defesa também manifestou à juíza o interesse de processar também sua ex-empresária. A juíza aceitou e tanto Deborah como sua irmã, sua ex-cunhada e também Cláudia passaram a ser rés e também autoras do mesmo processo. A confusão então estava instaurada na Justiça.

A defesa da atriz apresentou à Justiça e a 16º DP inúmeras provas - trocas de mensagens, e-mails, ligações e conversas em aplicativos de mensagens que iremos preservar, assim como contratos da sociedade e outros documentos - que revelariam uma versão completamente diferente da versão de Cláudia, inclusive com apontamento de ilícitos criminais que teriam sido cometidos pela ex-empresária sobre os ganhos da atriz, como narra o processo. 

De acordo com Deborah Secco - por ser uma das mais renomadas atrizes de sua geração - o agenciamento da sua imagem "sempre foi alvo de cobiça pelos grandes empresários do ramo artístico". Com apenas 9 anos foi agenciada por sua mãe e, aos 15, ao estrelar a novela das 20 horas da TV GLOBO, "A Próxima Vítima", surgiram muitas propostas para a participação da atriz em comerciais, para divulgação de marcas importantes. Nessa ocasião, firmou um contrato de agenciamento com o escritório Colucci Agentes, sociedade respeitada no ramo com larga experiência no agenciamento de artistas. Nessa altura o reconhecimento do trabalho artístico ganhava destaque e optou por entregar o agenciamento de sua imagem para o também renomado escritório JP&IKE PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA, liderado pelo empresário Ike Cruz. Segundo Déborah, começou ali a ser influenciada por Cláudia para minar sua relação com o empresário.


A atriz narra no processo que um mês após iniciar os trabalhos com Cláudia recebeu uma ligação do empresário Ike Cruz dizendo que ela iria se dar mal. Ike contava que Claudia teria feito diversas irregularidades durante o tempo de trabalho em sua empresa e que Deborah estaria correndo risco. Por essa razão, a irmã da artista passou a exigir uma prestação de contas, mas Claudia não estaria entregando corretamente. A partir daí Deborah conta que descobriu ilegalidades feitas pela empresária utilizando-se da sua imagem, como, por exemplo, embarcar em um voo com a sua filha usando bilhetes da cota da atriz sem a sua autorização, queimando assim seus créditos na companhia aérea, o que seria um ilícito criminal junto ao fato da sua ex-empresária trocar com uma marca o pagamento das horas extras do seu trabalho para ficar hospedada - também com sua filha - em um hotel de luxo em São Paulo sem a sua autorização. Daí em diante a artista narra que foi impossível manter a continuidade dos negócios e também da amizade.

Acusação de furto...

De acordo com a defesa da atriz foi concedido que Claudia ficasse no imóvel por três meses até promover alteração do contrato de locação para seu nome ou que alugasse outro imóvel para continuar sua atividade. Mas a ex-empresária não teria arcado com as custas deixando uma dívida acumulada de três meses em nome da atriz - até mesmo referente à luz do imóvel. Junto aos comprovantes de cobrança Deborah também teve o testemunho do síndico e do próprio dono do imóvel, ocasião em que apresentou à Justiça e as autoridades policiais documentos que comprovam que a ficha de Cláudia para substituí-la no contrato de locação havia sido recusada pelo próprio dono do imóvel, que estava sem receber os alugueis ha três meses pressionando a atriz pelas chaves.


Deborah apresenta na sequência uma série de documentos que comprovam avisos feitos a Claudia (e-mails, mensagens de zap, ligações, e outras formas de contato) com diversos pedidos para que ela deixasse o imóvel em razão da dívida acumulada, pois isso poderia prejudicar sua imagem. Com a falta de retorno, sua irmã e a ex-cunhada retiraram todos os pertences do imóvel e asseguraram os bens em um endereço, quando apenas uma exigência teria sido feita: que Claudia assinasse um termo comprovando que estava recebendo todos seus pertences de volta. Sem retorno a atriz conta que foi surpreendida com o boletim de ocorrência com a acusação de "furto a estabelecimento comercial". 

Ao longo do inquérito todos os bens foram devolvidos por meio de uma ordem policial e a ex-empresária - que antes havia se recusado a assinar um documento para retirada dos seus pertences - acabou assinando o termo de recebimento na presença dos policiais. Uma vez arquivado o inquérito policial a pedido do Ministério Público - que poderia desencadear uma ação na esfera criminal - Claudia e Deborah brigam agora na Justiça por uma reparação moral pelos danos causados. 

Claudia pede à Justiça a condenação da atriz pela usurpação dos seus bens e cessamento dos lucros do seu escritório - com a perda do local de trabalho - e uma indenização de pouco mais de R$ 100 mil. Já Déborah Secco também pede a condenação da ex-empresária. Entretanto solicita a título indenizatório apenas o pagamento referente aos três meses de alugueis que ela precisou arcar pra entregar as chaves.

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